Workshop Brasília 2030+ promovido pelo CORECON-DF trata do desenvolvimento regional da capital

in eventos

August 15, 2026

Há 9 dias, evento de interesse para pensar o desenvolvimento socioeconômico distrital foi promovido pelo CORECON-DF

🌆 Workshop Brasília 2030+: Atração de Investimentos e Diversificação Econômica

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=X5UQtO28w9M Formato: entrevista

Resumo do Workshop Brasília 2030+: Atração de Investimentos e Diversificação Econômica

Contexto

Evento promovido pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon DF), integrante da programação oficial do Mês do Economista 2026 (o Dia do Economista é 13 de agosto). O workshop reuniu representantes do setor público, federações empresariais, academia e conselhos de economia para discutir a diversificação da economia do Distrito Federal e a atração de investimentos. O encontro teve cerca de 2h50 de duração e foi transmitido pelos canais do Corecon DF.

O objetivo declarado foi construir subsídios para um documento a ser entregue a candidatos nas eleições de 2026 (governador, deputados distritais e federais, senadores), com diagnóstico e propostas para o desenvolvimento do DF.

Participantes identificados

  • Jusçanio Souza – vice-presidente do Corecon DF; fez a abertura e mediou os trabalhos.
  • Júlio Miragaia – conselheiro do Corecon DF, representando o Conselho Federal de Economia (Cofecon).
  • Diones Cerqueira – conselheiro do Corecon DF, moderador do workshop.
  • Jackson Doni – conselheiro do Corecon DF, especialista em política industrial (ABDI), responsável pela consolidação do documento final.
  • Luciana Barros – superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).
  • Pedro Henrique Verano – representante da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).
  • Tito Lívio Pereira e Queiroz – secretário executivo adjunto do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MDR); representou o secretário executivo Walder Ribeiro de Moura.
  • Alexandre Kieling – professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), pesquisador em inovação e economia criativa.
  • Eduardo Costa – assessor econômico da Fecomércio DF (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF).
  • Ronaldo – representante do CODES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do DF); pesquisador e doutorando.
  • Peniel Pacheco – secretário executivo da COAID, presente na plateia.

Principais pontos por tema

1. Diagnóstico da economia do Distrito Federal

  • O DF tem o maior PIB per capita do país (cerca de R$ 130 mil/ano, 2,5 vezes a média nacional), mas também a maior concentração de renda: Índice Gini de 0,5, enquanto o segundo colocado registra 0,3.
  • A economia é pouco diversificada: 95% concentrada em serviços, 4,1% na indústria e 0,6% na agropecuária. O setor público representa cerca de 40% da atividade econômica.
  • alta dependência da administração pública: menos de 500 mil dos cerca de 3 milhões de habitantes do DF são funcionários públicos — ou seja, cerca de 2,5 milhões de pessoas dependem de outras alternativas econômicas.
  • O DF tem desemprego elevado e alta informalidade, apesar da renda alta.
  • A indústria local é a menor do Centro-Oeste, com participação de 0,6% do PIB nacional e queda de 2,2% entre 2021 e 2023. É concentrada em alimentos (29%) e minerais não metálicos (26%).
  • Comparações citadas: Jaraguá do Sul (SC), com 300 mil habitantes, tem mais emprego industrial do que toda a área metropolitana de Brasília; a região Oeste do Paraná triplicou a produção industrial em 20 anos.
  • A pandemia evidenciou a vulnerabilidade da economia local: o DF “exporta renda” para outros estados ao comprar bens que não produz.

2. Indústria como vetor de diversificação

  • Pedro Verano (Fibra) defendeu a indústria como motor de desenvolvimento. Dados apresentados:
    • Cada R$ 1 investido na indústria gera R$ 2,33 na economia local.
    • O multiplicador industrial é 49% maior que o do setor de serviços.
    • A indústria gera empregos de maior qualidade, vínculos formais, inovação e segurança jurídica.
  • Propostas da Fibra:
    • Regulamentar o PDOT para uso industrial e simplificar o licenciamento urbanístico, ambiental e sanitário.
    • Estruturar áreas de desenvolvimento produtivo com infraestrutura (acessos, energia, drenagem, conectividade).
    • Revisar incentivos fiscais com metas, contrapartidas e avaliação periódica de resultados (críticas ao PRODF).
    • Criar uma agência de promoção de investimentos com portas únicas para licenças, terrenos e incentivos.
    • Consolidar o Parque Tecnológico Biotic como vetor de biotecnologia, bioeconomia e TIC, com atração de empresas-âncora.
  • A Fibra deve lançar sua “Pauta da Indústria 2026-2030” em 15 de agosto, para entrega a candidatos.

3. Instrumentos de financiamento e infraestrutura regional

  • Luciana Barros (Sudeco) apresentou os instrumentos disponíveis:
    • O FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) já injetou R$ 166 bilhões na região; o orçamento atual é de R$ 15,6 bilhões/ano, com 10% destinados ao DF.
    • Há baixa absorção dos recursos pelo DF: parcela relevante vai para a RIDE/entorno; não houve financiamento via FDCO no DF.
    • O FDCO usa taxa pós-fixada (IPCA+TLP), o que reduz atratividade para projetos de longo prazo. Demanda atual concentra-se em energia renovável; exemplo: fazenda solar em Vila Propício (RIDE), com 740 mil painéis solares.
    • Novas linhas: FCO Mulheres Empreendedoras (25% dos recursos para empresas lideradas por mulheres) e FCO Jovens.
  • Tito Queiroz (MDR) destacou programas do ministério:
    • Rotas de Integração Nacional: 79 polos, atendendo mais de 1.200 municípios em 18 estados. No DF, há rotas de fruticultura, biodiversidade, TIC e avicultura caipira.
    • FDIRS (Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável): financia estruturação de PPPs e concessões, oferece garantias e pode participar de fundos; prioriza Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
    • REIDI: suspensão de PIS/Cofins para compra de equipamentos; projetos de irrigação em Ceilândia, Brazlândia e Cristalina.
    • Observatório da RIDE DF: base de dados geoespacial em construção com a UnB e a Sudeco, para embasar políticas públicas.
  • Ambos defenderam o fortalecimento da COAID (governança da RIDE), para que deixe de ser apenas espaço de discussão e passe a ter papel decisório e orçamento.

4. Economia criativa e inovação

  • Professor Alexandre Kieling (UCB) apresentou a economia criativa como caminho para a mudança da matriz econômica do DF:
    • O DF tem 130 mil CNPJs criativos; 64% são microempreendedores individuais (MEIs).
    • A economia criativa movimentou R$ 9 bilhões no DF em 2022 e empregou mais de 130 mil agentes criativos.
    • O DF foi a 3ª UF em participação da economia criativa no PIB regional.
  • Exemplos de potencial local citados:
    • Games: mercado global de US$ 1,5 trilhão, com 90% controlado por empresas estrangeiras.
    • Vinho local: cooperativa com 10 vinícolas produz vinho premiado internacionalmente e desenvolve estrutura de turismo.
    • Capital Motofest: evento que atraiu 130 mil visitantes; retorno de R$ 10 por R$ 1 investido.
    • Artesanato: grupo de artesãs da “Maria do Barro” tem encomendas até 2030.
  • Críticas e desafios:
    • Falta de visão sistêmica e articulação: a UCB tentou levar ao Biotic um laboratório de biotecnologia de R$ 24 milhões e não houve contrapartida.
    • A sede da IBM está em Brasília, mas não há articulação para atrair uma base da empresa para o Biotic.
    • A infraestrutura de hardware e data centers é insuficiente; o DF é forte em software, mas dependente de hardware externo.
    • O “Vale da Morte” — empreendedores criativos não conseguem testar e escalar seus protótipos; é necessário o setor público como indutor e, depois, capital privado.
  • Eduardo Costa (Fecomércio) alinhou-se à tese da economia criativa e apresentou propostas:
    • Criar carteira unificada de projetos criativos para investidores.
    • Implementar distritos criativos por região administrativa.
    • Criar um calendário integrado de eventos do DF.
    • Manter um observatório de dados para decisões baseadas em evidências.
  • Ronaldo (CODES) citou a experiência de Cabo Verde, que partiu de renda per capita de US$ 200 (1975) para US$ 11 mil, investindo em capital humano, turismo e combate à corrupção. Defendeu clusters produtivos (a exemplo da China) e o lançamento do livro “Brasília que queremos para os próximos 40 anos”.

5. Governança e articulação institucional

  • Luciana Barros fez uma crítica contundente: a Sudeco tem mais facilidade de atuar em outros estados do que no Distrito Federal.
    • “Nós estamos aqui do lado do governo federal, mas a gente não consegue se incluir dentro do Distrito Federal porque parece que há uma porta fechada.”
    • Defendeu que o DF defina prioridades claras e faça articulação com o governo federal, em vez de atuar de forma isolada.
  • Alexandre Kieling propôs a criação de um comitê de governança para o Setor Comercial Sul, com participação do setor privado, academia, sociedade civil e entidades (Corecon, Fibra, Fecomércio), seguindo modelos como Porto Digital (Recife) e Medellín — para que os projetos não recomecem a cada troca de governo.
  • O Corecon comprometeu-se a consolidar todas as apresentações em um documento final, que será submetido aos participantes para revisão antes de ser entregue aos candidatos em 2026.

Síntese final

O workshop consolidou um diagnóstico comum: o Distrito Federal tem renda e capital humano acima da média nacional, mas sua economia é frágil — concentrada em serviços, dependente do setor público e marcada por extrema desigualdade. Há consenso de que a diversificação passa pela indústria de maior valor agregado e pela economia criativa e tecnológica, aproveitando o capital intelectual local, a localização estratégica e os instrumentos de financiamento já existentes (FCO, FDCO, FDIRS, REIDI).

O principal entrave apontado não é a falta de potencial, mas a falta de articulação, prioridades claras e governança estável. As propostas mais concretas incluem: agência de promoção de investimentos, estruturação de áreas produtivas, consolidação do Biotic, criação de um polo criativo no Setor Comercial Sul, fortalecimento da COAID e formulação de um plano de longo prazo que sobreviva às trocas de governo. O evento encerrou com o compromisso de transformar as falas em um documento técnico a ser apresentado à classe política nas eleições de 2026.

Permalink:
https://foradacurva.distintive.com.br/blog/2026-08-15-workshop-bras-lia-2030-promovido-pelo-corecon-df-trata-do-desenvolvimento-regional-da-capital/
Publicado em:
August 15, 2026
Tamanho:
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Categorias:
eventos
Tags:
desenvolvimento
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